Dentre tantas coisas que marcaram minha vida, a que mais me recordo era a de caixas de papelão, em meio aos prantos de minha mãe, por partir da cidade em que criara vínculo, surgia sempre a esperança de encontrar o novo, de um novo mundo desconhecido, pessoas novas, lembro de cada vez meu pai falando a todos que iríamos nos mudar, e que poderíamos recomeçar, sempre era muito trabalhoso, jogar meus objetos nas caixas, ter que escolher qual brinquedo eu levaria, e qual teria que ir no caminhão de mudança, as vezes eu me sentia triste por largar minha casa, mas logo o sentimento era dominado pela expectativa de um lugar melhor, e com pessoas mais agradáveis.
Meu pai pra poupar dinheiro sempre optava por viajar de carro, era um tanto divertido, sempre gostei de viajar de carro.
Estradas, hotéis e restaurantes desconhecidos me levavam a loucura, cada parada era um tema para mais uma de minha histórias sem pé nem cabeça, assim como sempre era muito bom chegar aos novos destinos, tudo novo, vida nova, sim eu poderia ser quem eu quisesse, afinal ninguém me conhecia!
É claro que tudo tem o seu preço, o preço de me mudar, era ter que me adaptar ao estilo de vida local costumes, gosto, sotaque, tudo era novo, e um tanto bizarro em minha concepção.
Mudar de escola era muito sofrido pra mim, ainda me lembro a primeira escola que eu estudei, foi como se cortasse o cordão umbilical entre eu e minha mãe.
era sempre horrível pra mim falar que eu vinha de outra cidade, logo várias crianças curiosas, me cercavam com milhões de perguntas, o que era insuportável pra mim, com o meu pequeno trato social.
Enfim cada cidade uma história, assim foi por Uberlândia, Rio de Janeiro, Manaus, Campo Grande, Brasília, e Curitiba.
Um comentário:
Tem aquela canção: "mudaram as estações, nada mudou, mas eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente..."
Mudanças e andanças... Só vc mesmo pra saber o impacto que elas causam, arrisco-me a dizer que toda mudança no fundo não muda nada, pq sempre volta ao ponto de partida, e sempre nos encontramos a nós mesmo no final, por mais que as coisas aconteçam e mudem, fiquem diferente, no final ainda seremos os mesmos. Mudanças? Não, processos talvez, sem uma conclusão específica, apenas mudanças...
bejones rafones
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