Logo após ter morado por 4 anos no Rio de Janeiro, fomos para Manaus, uma cidade construída no meio da selva Amazônica, uma cidade quente e úmida, tão distante de tudo que eu já havia conhecido, sempre viajamos de carro, mas dessa vez tinha que ser diferente, pois era impraticável rodar tantos quilômetros do rio para Manaus, dessa vez iríamos de avião.
Era tudo tão lindo, e tão novo, em uma época que voar de avião era sinal de status, em que não havia toda essa zona e desconforto como há hoje, embarcamos em um vôo da falida Trans-Brasil, as aeromoças, foi uma viajem tranqüila, eu não parava de olhar para a janela, para ver tudo lá de cima, era como se fosse um sonho, eu voava acima das nuvens!
O momento da aterrissagem foi tão ou mais emocionante quando o da subida, com tantas emoções, eu imaginava que morar em Manaus seria fantástico, ao desembarcar, encontramos meu pai e meu irmão mais velho nos esperando, eles tiveram que vir antes, pois o Otávio tinha que ter aula no colégio militar, e meu pai, que arrumar tudo para agente morar.
Chegando ao estacionamento, todas as minhas expectativas foram destruídas ao ver o possante que meu pai havia adquirido um opala velho, carinhosamente apelidado de “Dragão”, era um opala verde musgo, que mais parecia uma carroça enferrujada, mas o opala estava à medida do que haveria por ir, chegando ao lugar onde moraríamos, uma casa velha caindo aos pedaços, em um enorme quintal sujo cheio de mato, que crescia por todos os lados, nomeada de “Pocilga” moramos por 2 anos nessa casa, não tínhamos quase nenhum móvel, pois ficaria muito caro para transportar até Manaus, então tudo que possuíamos, vedemos ou damos. A casa era razoavelmente grande e vazia pela falta de móveis, quando olhei para o lado vi minha mãe, e minha mãe chorou.
Ao mesmo tempo em que foi triste ver minha mãe naquele estado, foi completamente engraçado ela chingando meu pai com palavras do tipo:
-Seu idiota, olha o lugar onde você nos enfiou você me prometeu que seria um lugar ótimo, em vez disso, você nos coloca nessa “Pocilga”.
E como tudo na minha casa vira piada, não foi diferente dessa vez, foi ai que o nome da casa nasceu.
Nas primeiras semanas que moramos em Manaus, minha mãe foi fazer um curso de guerreira na selva, e acabou que ficou somente meu pai e meus irmãos, o contribuía pra zona e o desconforto ficar maior, ainda era período de férias para mim e meu irmão. E meu pai nos levou a diversos lugares, shopping, clube, zona franca, e o ao teatro amazonas. A cidade era muito estranha, não havia muitos prédios altos, e havia muita pobreza, muitos descendentes de índios habitavam aquela cidade, era um povo moreno, baixo, de cabelos extremamente lisos, e negros. Um povo que vai alem da minha compreensão.
Em Manaus a cultura do sexo era o que imperava, onde sexo era algo tão comum quanto fazer compras, lembro do meu pai falando de modo irônico: nessa cidade não existe corno, todo mundo é de todo mundo.
E realmente era verdade, minha mãe contratou uma empregada para ajudar a limpar a “Pocilga”, ela era muito semelhante aquelas índias que aparecem nas novelas de época da globo. Baixinha, magrinha morena e com os cabelos negros lisos, ela possuía apenas 18 anos, e já era mãe de uma linda criança de 4 anos de idade, o que era muito comum por lá, afinal a lenda do boto perdura por lá até hoje.
Manaus era muito quente e úmido, chovia todo dia exatamente ao meio dia, mas não adiantava muito, pois continuava extremamente quente.
Seja na rua, na chuva, ou na floresta, foi muito bom viver de coisas que eu nunca poderia imaginar.