terça-feira, 2 de outubro de 2007

Capitulo 3 – Fragmentos

Como são vagas as minhas lembranças dos meus primeiros momentos no mundo, é estranho olhar pra trás, tudo que vem são imagens como as de um sonho, aqueles que se mostram na TV, com algum tipo de aura branca meio esfumaçada, vozes sem som, e rostos sem feição.

Olhando em algumas fotos antigas, algumas vozes ainda vem a minha memória.


Após o meu nascimento, morei 2 anos em Uberlândia, lembro-me muito pouco de lá, como da casa em que eu me morei, e de um momento em particular, quando minha mãe tirou uma foto minha, logo após eu acordar, com cara de sono e jeito de criança tímida, peguei uma laranja, e fui para a varanda, o meu lugar predileto, quando minha mãe com a maquina na mão disse: Olha pra câmera meu querido!

Foi assim numa manhã ensolarada qualquer, que esse momento ficou marcado em minha memória.


Logo após fomos morar na cidade do Rio de Janeiro, de lá algumas me marcam até hoje, como a minha inocência, e a tendência de criar coisas do nada, como por exemplo uma segunda personalidade, não que eu seja algum tipo de maluco, ou muito menos um psicopata, mas na minha ótica eu precisava de algo para mostrar para mim mesmo que eu era muito mais do que uma criança exemplar, precisava ser alguém forte corajoso, extrovertido e engraçado, assim como nos desenhos que eu assistia, afinal, o He-man também tinha uma parte nele que era tímida, mas quando os problemas surgiam, lá estava ele com sua espada derrotando os inimigos, é claro que ninguém alem de mim sabia disso, eu tinha muita vergonha de contar para os meus pais que eu tinha um amigo imaginário, mas garanto que era muito divertido brincar comigo mesmo.


Como toda família bem estruturada, nossas férias sempre eram junto com os avós e tios, era bastante divertido, eu sempre gostava mais de ficar na casa da minha avó Otávia, uma senhora muito generosa e simpática, que sempre expressava seu amor a todos, mulher de Deus que sempre me ensinou muitas coisa que carrego até hoje em minha pratica pessoal.

Era sempre muito bom e seguro estar lá, não que eu não gostasse dos meus avós paternos, mas com a família da minha mãe eu tinha uma porção de primos, para brincar, afinal na época da minha avó não tinha TV, e o jeito era fazer filho.

São 10 no total contando com 1 que dona Otávia Batista, adotara, agora imagine, cada tio que eu tenho tem na média 2 filhos, ou seja... Primos até cansar, minhas férias eram meus únicos momentos de coletividade, e o momento mais esperado do ano, sempre era muita festa, muita comida, muita pamonha, empadinha e goiabada!

Claro no interior do Goiás não podia ser diferente, sobre todos esses sabores diferentes, eu amava o cheiro das coisas, cheiro do chocolate e pão com manteiga na chapa, que sempre me esperava quando eu acordava, cheiro do enorme quintal que a casa da minha avó possuía, cheiro da minha avó, como era bom ficar acordado até tarde com ela, ouvindo ela contar piadas, ou até mesmo assistir ela dormindo em sua cadeira de balanço, roncando e assobiando, igual nos desenhos do pica-pau.

Saudade dela gritando na varanda SIMONE! Chamando a menina que ajudava ela nos afazeres domésticos, lembrar desses fragmentos da minha vida me trás uma saudade, de um tempo em que tudo parecia tão simples e tão alegre.