Same old thoughts
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Passageiro
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Como o vento
Foi um tempo muito feliz o que eu vivi em Manaus, digamos que uma experiência única, foi lá onde descobri várias coisas a respeito do mundo, e mesmo sendo bem novo, aos 8 anos passei a entender melhor as pessoas, tal como a mim mesmo, passei a me interagir muito mais, foi lá que eu passei a ter a minha primeira paixão, como várias outras que viriam anos a frente, essa não foi diferente.
Sim uma paixão platônica, era engraçado admirar a menina que eu acreditava ter tudo em comum, exceto o fato de eu nem falar com ela, eu ficava ali parado observando ela andar em câmera lenta, enquanto todo o resto do mundo era preto e branco.
Ela sim tinha cores, foi como se eu descobrisse a roda, mas o ano passou, o tempo passou, e a paixão passou como vento.
Mal eu sabia que mais pra frente outras surgiriam...
Como era de se esperar, meu tempo em Manaus se acabou, e no mudamos para Uberlândia, essa foi a primeira vez que eu chorei por ir embora de um lugar, amigos feitos histórias escritas, e marcas em um coração, ainda jovem, marcas que eu mal sabia que levaria pelo resto da vida.
Enquanto há flores...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Nota do autor... ??
portanto alternarei entre fatos passados, e fatos presentes, assim nada fica no esquecimento...
eu acho..
o que eu tava falando mesmo?
ah! sei lá...
=)
sábado, 19 de janeiro de 2008
Estrelinha preta, velha doida, e ônibus desgovernado
A vida em Manaus era bastante divertida, entre a escola, os passeios pela selva amazônica, e as brincadeiras de rua, aprendi a ser criança, e diferente de tudo que eu havia vivido, eu arrumei amigos, aprendi a soltar pipa, correr, e andar de bicicleta, o que pra minha idade acho que foi um tanto tardio, pois eu possuía sete anos de idade e fazia tais coisas, quando as crianças da região já brincavam de médico, não que isso seja uma coisa boa, mas como dito anteriormente, era costume local, estudei em uma escola que eu nunca me esquecerei, onde possuía a professora mais antiética do planeta, seu nome: Tia Auxiliadora lembro-me como se fosse hoje, ela falando aos berros aos alunos, batendo xingado e humilhando... Não sei como eu não denunciei essa mulher, minha educação primária foi na base da porrada, bem estilo BOPE, ou pela minha doce mãe, ou pela minha amável professora, não sei qual era o pior, as palmadas da minha mãe para eu aprender a tabuada, ou os puxões de cabelo da Auxiliadora, para me botar no lugar.
Mesmo sendo um garoto tímido e um tanto calado, parecia que isso provocava a ira na mulher, e ela pegava no meu pé, com insultos e humilhações, ainda lembro da estrelinha preta que ela me deu, falando que eu era o aluno mais burro da turma, e pra ajudar, meu irmão mais velho, o Renato era um anjo na escola... Aprontava tudo que tinha direito, éramos discriminados, até hoje não tenho a menor idéia porquê.
Mas apesar dos pesares, sempre levei tudo numa boa, não ligava de ser taxado o mais burro da sala, afinal, ninguém me entendia, só mesmo eu sabia como era o meu mundo.
Em uma terra de coisas estranhas, não faltavam figuras estranhas, tal era a "Velha Doida", uma figura bizarra que me assustou na infância, era uma mulher idosa que possuía uns cabelos brancos e desgrenhados, que andava pela vila que morávamos, resmungando e falando palavrões, sempre tive medo dela, pois afinal a mulher era louca mesmo, na época não era comum ver mendigos na cidade, ela era a única, toda vez que eu a via, eu sempre me escondia, com medo dela me fazer algum mal, certa vez ela entrou no meu quintal, e roubou as roupas do meu pai no varal, foi até divertido vê-la no outro dia fantasiada de Adalberto.
E em um mundo estranho, também não faltou acontecimento estranho, como por exemplo, o dia em que um ônibus desgovernado entrou no muro de minha casa.
Lá estava eu e meu pai, no quintal, queimando algumas folhas secas, que caiam da enorme mangueira que havia lá em casa, quando de repente...
Bom! Um ônibus atravessa o muro do quintal, parando a poucos metros de meu pai e eu, o mais engraçado, foi a quantidade de gente que apareceu, quase instantaneamente, entre repórteres, e curiosos, o que mais me surpreendeu, foi um bêbado ter morrido, por ter sido quase atropelado por esse ônibus, afinal o ônibus só bateu no muro que casa porque, ele desviara desse bêbado, que caiu e bateu a cabeça no meio-fio, engraçado como a morte sempre dá um jeito de acabar com as pessoas.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Capitulo 5 – Na rua. Na chuva, na floresta
Logo após ter morado por 4 anos no Rio de Janeiro, fomos para Manaus, uma cidade construída no meio da selva Amazônica, uma cidade quente e úmida, tão distante de tudo que eu já havia conhecido, sempre viajamos de carro, mas dessa vez tinha que ser diferente, pois era impraticável rodar tantos quilômetros do rio para Manaus, dessa vez iríamos de avião.
Era tudo tão lindo, e tão novo, em uma época que voar de avião era sinal de status, em que não havia toda essa zona e desconforto como há hoje, embarcamos em um vôo da falida Trans-Brasil, as aeromoças, foi uma viajem tranqüila, eu não parava de olhar para a janela, para ver tudo lá de cima, era como se fosse um sonho, eu voava acima das nuvens!
O momento da aterrissagem foi tão ou mais emocionante quando o da subida, com tantas emoções, eu imaginava que morar em Manaus seria fantástico, ao desembarcar, encontramos meu pai e meu irmão mais velho nos esperando, eles tiveram que vir antes, pois o Otávio tinha que ter aula no colégio militar, e meu pai, que arrumar tudo para agente morar.
Chegando ao estacionamento, todas as minhas expectativas foram destruídas ao ver o possante que meu pai havia adquirido um opala velho, carinhosamente apelidado de “Dragão”, era um opala verde musgo, que mais parecia uma carroça enferrujada, mas o opala estava à medida do que haveria por ir, chegando ao lugar onde moraríamos, uma casa velha caindo aos pedaços, em um enorme quintal sujo cheio de mato, que crescia por todos os lados, nomeada de “Pocilga” moramos por 2 anos nessa casa, não tínhamos quase nenhum móvel, pois ficaria muito caro para transportar até Manaus, então tudo que possuíamos, vedemos ou damos. A casa era razoavelmente grande e vazia pela falta de móveis, quando olhei para o lado vi minha mãe, e minha mãe chorou.
Ao mesmo tempo em que foi triste ver minha mãe naquele estado, foi completamente engraçado ela chingando meu pai com palavras do tipo:
-Seu idiota, olha o lugar onde você nos enfiou você me prometeu que seria um lugar ótimo, em vez disso, você nos coloca nessa “Pocilga”.
E como tudo na minha casa vira piada, não foi diferente dessa vez, foi ai que o nome da casa nasceu.
Nas primeiras semanas que moramos em Manaus, minha mãe foi fazer um curso de guerreira na selva, e acabou que ficou somente meu pai e meus irmãos, o contribuía pra zona e o desconforto ficar maior, ainda era período de férias para mim e meu irmão. E meu pai nos levou a diversos lugares, shopping, clube, zona franca, e o ao teatro amazonas. A cidade era muito estranha, não havia muitos prédios altos, e havia muita pobreza, muitos descendentes de índios habitavam aquela cidade, era um povo moreno, baixo, de cabelos extremamente lisos, e negros. Um povo que vai alem da minha compreensão.
Em Manaus a cultura do sexo era o que imperava, onde sexo era algo tão comum quanto fazer compras, lembro do meu pai falando de modo irônico: nessa cidade não existe corno, todo mundo é de todo mundo.
E realmente era verdade, minha mãe contratou uma empregada para ajudar a limpar a “Pocilga”, ela era muito semelhante aquelas índias que aparecem nas novelas de época da globo. Baixinha, magrinha morena e com os cabelos negros lisos, ela possuía apenas 18 anos, e já era mãe de uma linda criança de 4 anos de idade, o que era muito comum por lá, afinal a lenda do boto perdura por lá até hoje.
Manaus era muito quente e úmido, chovia todo dia exatamente ao meio dia, mas não adiantava muito, pois continuava extremamente quente.
Seja na rua, na chuva, ou na floresta, foi muito bom viver de coisas que eu nunca poderia imaginar.
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Capitulo 4 - Simples como devem ser...
Onde cabia somente uma pessoa: EU...
Assumo que isso é algo meio estranho de se falar... Mas fazer o que? Fui uma criança um tanto mimada, porém nunca deixei a minha simplicidade, apesar de minha mãe oferecer muito mais do que eu necessitava, eu sempre me contentei com o pouco, não para aparecer, ou muito menos pra tentar demonstrar alguma coisa, mas as coisas realmente não me despertavam muito interesse, foi ai que um mundo novo, totalmente complementar as minhas fantasias se tornou tão interessante, o desenho.
Foi como se eu pudesse enxergar em algum lugar que ninguém mais poderia ver, voar mais alto que qualquer avião, passava horas fazendo linhas, traços, pontilhados, que ao ver de uma pessoa moldada pelos padroes normais da sociedade, consideraria sem sentido, e sem razão, mas para mim tinham sentido, nome, forma, cheiro e cor.
Coisas que eu vivia, coisas simples como devem ser.